Que o ensino público vai mal, não é novidade para ninguém. O que é preciso é encontrar e solucionar os problemas que afligem a escola pública. Qualquer individuo em sã consciência que adentrar em uma escola pública e ali permanecer por alguns meses vai notadamente perceber uma grande infinidade de problemas. E vai perceber que os professores são na verdade uns heróis por ainda acreditarem que é possível fazer alguma coisa pela educação, mesmo com o descaso dos governantes.
Existe, no entanto, um grande grupo na sociedade acreditando que o grande problema da escola pública esta na figura do professor. E infelizmente ao que parece encontraram um porta-voz na grande imprensa: o Sr. Gilberto Dimenstein, que já a algum tempo, vez ou outra escreve em sua coluna dominical na Folha de São Paulo, artigos que visam de alguma forma atacar o professorado. Na sua coluna do dia 28 de julho, apresenta algumas colocações notadamente equivocadas, com o intuito de apresentar uma solução de melhoria para a escola pública. Alguma das colocações do colunista faz questão de postar aqui:
“O presidente do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, voltou a sinalizar, na semana passada, que, além do jornalismo, mais diplomas poderão deixar de ser obrigatórios - arquitetura, administração, educação, economia, e por aí vai.”
“Se um advogado, devidamente treinado em comunicação, pode trabalhar em jornal, por que um aluno de engenharia não poderia dar aula de física ou matemática numa escola pública? Bastaria que tivesse uma ajuda para saber transmitir seu conhecimento. Para melhorar as escolas públicas, a cidade de Nova York chama os talentos da sociedade e oferece um curso de didática em apoio - são mandados para os piores lugares. Os resultados são bons, claro. Os alunos gostam de professores que adoram fazer coisas, sejam elas quais forem.”
“Essas mudanças são resultado previsível das sociedades democráticas em que se exige mais transparência, todos têm de dar conta de seus atos e, portanto, são mais avaliados e fiscalizados - e aí vai dos familiares de Sarney, no Senado, aos professores, montados em seus títulos. Não é à toa que, cada vez com mais intensidade, a sociedade olha desconfiada os privilégios das corporações, seja de políticos, seja de professores, seja de jornalistas.”
Que cada um julgue os pensamentos do articulista como quiser, mas que parece um descaso com os educadores, parece sim.



Nenhum comentário:
Postar um comentário