quinta-feira, 25 de junho de 2009

Aula em comunidades de aprendizagem – Orkut


Em tempos de internet cada vez mais no nosso cotidiano, preocupamo-nos como utiliza - lá a nosso favor em sala de aula. No entanto, acabamos enfrentando um grande dilema: aquilo que julgamos importante para nossos alunos, eles não gostam e aquilo que eles gostam nos deparamos com o problema de como utilizar na educação. Nesse contexto, um dos grandes tops entre nossos jovens e adolescentes hoje é o ORKUT.

Muitos educadores vêem no Orkut um inimigo da educação, outros já encontraram formas de utilizá-lo. A grande questão é como fazer um bom uso desse instrumento. Cada um deve achar seu jeito, pois não pretendo dar receitas prontas, pois ainda não descobri o melhor caminho.

O que quero apresentar aqui é um texto do Prof. Luís Paulo Leopoldo Mercado, da Universidade Federal de Alagoas (Ufal). Originalmente o presente texto faz parte de um longo trabalho do professor, publicado na revista “Em Aberto”, nº79, publicada pelo INEP. A revista pode ser lida na integra no site do INEP. O número em questão tem como temática “Integração de mídias nos espaços de aprendizagem”. Para quem quiser acessar a revista: http://emaberto.inep.gov.br/index.php/emaberto/issue/view/101/showToc.

Do texto original, transcrevo um dos itens que trata exclusivamente do Orkut.



Aula em comunidades de aprendizagem – Orkut

Uma comunidade virtual de aprendizagem (Smith, Kollok, 2003) é um espaço em que todos os profissionais possam compartilhar informações, já que trabalham com projetos comuns, organizar debates on-line e outras atividades apoiadas nas possibilidades comunicativas da Internet e realizar experimentação de ferramentas de aprendizagem colaborativa e a promoção de projetos de inovação por parte de grupos de professores do coletivo.

Para Palloff e Pratt (2004), comunidades virtuais de aprendizagem são agregações culturais que podem ser criadas e desenvolvidas a partir de grupos de pessoas que se encontram e realizam atividades em comum na Internet, cujos membros sejam de uma mesma sala de aula, de diferentes salas de um mesmo nível, de diferentes salas de diferentes níveis ou de todo um contexto escolar e de contextos escolares diferentes.

Um dos benefícios mais importantes das comunidades de aprendizagem consiste nas contribuições de cada participante - com conhecimentos e habilidades, noções e conceitos – para enriquecer a prática e o desenvolvimento da aprendizagem do próprio participante e promover a construção coletiva com seus companheiros, proporcionando um ambiente enriquecedor, com contribuições e interações de todos e de cada um dos seus integrantes.

A rede social do Orkut pode ajudar a estabelecer novos relacionamentos e a manter os existentes, possibilitando às pessoas o encontro que jamais ocorreria. O Orkut torna fácil encontrar pessoas que compartilham hobbies e interesses, desejam estabelecer relações amorosas ou mesmo procurem novos contatos profissionais.

O Orkut alia conteúdo × interação, fazendo com que os alunos conheçam diferentes ambientes/comunidades em que são discutidos temas do seu interesse. Também possibilita o encontro de pares, multiplica o acesso de conteúdos para a continuidade da formação, facilita a construção de uma leitura do mundo digital e cria disposição para que o educador sirva-se dele e contribua com ele. Fortalece o círculo de apoio do trabalho docente. Constitui um referencial de consulta, intercâmbio e apoio a qualquer hora e em qualquer lugar. Promove a inclusão dos alunos no mundo virtual, onde eles possam interagir com os colegas, professores, amigos da comunidade e familiares que também o possuam. Transforma alunos em autores multimídia para uma comunidade global e permite que eles pensem e aprendam juntos.







terça-feira, 23 de junho de 2009

BlogBlogs.Com.Br

Ambientes de ensino eficazes



Interessante como no Brasil, poucas pessoas se preocupam com a educação ou ao menos buscam compreender o que acontece de fato nas escolas para tentar encontrar alguma solução que de fato venha ao encontro das mudanças no cotidiano escolar.


Afirmo isso, por não ver (ou ainda ter visto muito pouco), comentários a respeito da pesquisa realizada pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento - OCDE, elaborado com o apoio da Comissão Européia, sobre ensino e aprendizagem (Talis), que, pela primeira vez, apresenta dados comparáveis em escala internacional sobre as condições de trabalho dos professores nas escolas, baseados nas conclusões de uma pesquisa conduzida em 23 países.


O relatório, intitulado « Creating effective teaching and learning environments» (Criar ambientes de ensino e aprendizagem eficazes), baseia-se nas conclusões do TALIS, e traz a tona uma série de fatos, que ao professor é real, mas para aqueles fora da sala de aula, se reduz em má vontade dos educadores em construir um ambiente diferente de aprendizagem. Algumas das conclusões da pesquisa são bem interessantes:

· Mais de 80% dos professores brasileiros queriam mais estímulo do que receberam;


· Grande parte dos professores do ensino básico trabalha em escolas em que as perturbações de sala de aula prejudicam o processo de ensino «em certa medida» ou «bastante». Em média, os professores gastam 13%do tempo em sala de aula procurando manter a ordem, mas no Brasil o percentual aumenta para 17%.


· Na maioria dos países, o estudo aponta que a força de trabalho das escolas está envelhecendo. Já no Brasil, só 12% dos docentes têm mais de 50 anos. De acordo com a pesquisa, quase um quarto dos professores têm menos de 30 anos. Isso representa menos experiência profissional, tendo apenas 19% com mais de 20 anos de docência, enquanto a média é de 36% com essa experiência.


· O relatório da OCDE mostra que a maioria (71%, maior percentual registrado) dos professores brasileiros começou a dar aulas sem ter passado por um processo de adaptação ou monitoria. A média dos países nesse quesito é de 25%.


· Os brasileiros também são dos que mais afirmam (84%) que gostariam de participar de cursos de desenvolvimento profissional. Esse percentual só é maior no México (85%).


· Os brasileiros são os profissionais que têm que atender a um maior número de alunos por classe, com média de 32 alunos, enquanto a média dos outros países é 24.

· A indisciplina se mostrou um problema mundial. Na média dos países, 60% dos diretores afirmaram ter, em alguma medida, distúrbios em sala de aula provocados pelo problema. O México tem o maior percentual (72%); o Brasil tem exatamente o índice da média.

· Os professores brasileiros são os que mais desperdiçam com outras atividades o tempo que deveria ser dedicado ao ensino. No período em que deveriam estar dando aula, eles cumprem tarefas administrativas (como lista de chamada e reuniões) ou tentam manter a disciplina em sala de aula (em conseqüência do mau comportamento dos alunos).

Tudo isso é apenas um resumo das mais de 300 páginas do documento que aponta as mazelas do ensino público. E ao que parece nada será feito para mudar esse triste quadro. Para acompanhar na integra todo o documento, é preciso dominar o inglês, já que não existe a versão desse documento em português. Quem tiver interesse pode obter o documento na integra em sua versão original :

http://www.oecd.org/dataoecd/17/51/43023606.pdf




segunda-feira, 22 de junho de 2009

Por uma escola de qualidade


Uma das grandes preocupações que se tem hoje na escola pública é a busca por um ensino de qualidade. Muitas tentativas são feitas, porém sem atingir o âmago da questão. Porque será tão difícil de atingir essa meta que é tão primordial para a construção de uma sociedade mais igualitária?

Entra governo e sai governo, cada um apresenta soluções mágicas, repleta de concepções miraculosas e sempre apontando o professor como o grande empecilho para o desenvolvimento de um projeto que contemple um modelo adequado de ensino.

A busca pelas mazelas do ensino público de muito já é conhecido. Inclusive, no último concurso público para provimentos de vagas na Prefeitura Municipal de São Paulo (2007), na bibliografia disponibilizada para estudo consta o livro “Novas tecnologias e mediação pedagógica” (Campinas: Papirus, 2000). Seria interessante que os “técnicos de gabinete” da Secretária de Educação seguissem também os parâmetros dos livros selecionados.


Na referida obra, logo no seu inicio, temos um bom texto de José Manuel Moran, que tem um sugestivo subtítulo: “Os desafios de ensinar e educar com qualidade” onde o autor mostra alguns aspectos, que nós educadores da escola pública estamos cansados de saber.


Entre as diversas variáveis para se atingir um ensino de qualidade, Moran nos aponta alguns que faço questão de resumir aqui:

• Um projeto pedagógico coerente, aberto, participativo;

• Infra estrutura adequada, atualizada, confortável;

• Tecnologias acessíveis, rápidas e renovadas;

• Docentes bem preparados intelectual, emocional, comunicacional e eticamente além de bem remunerados;

• Alunos motivados, preparados intelectual e emocionalmente com capacidade de gerenciamento pessoal e grupal.


Essa “escola dos sonhos”, no entanto está longe de ser atingida. Grandes dificuldades se colocam no caminho da construção desse modelo, principalmente (e graças) aos governantes de plantão que tem como maior preocupação apenas o resultado quantitativo e não um resultado qualitativo. Não existe uma real preocupação com um ensino significativo, mas sim com uma enormidade de conteúdo muitas vezes aquém da realidade-necessidade de nossos alunos.


Volto a refletir novamente com Moran, que ainda em seu texto nos mostra as dificuldades de se construir esse modelo de escola de qualidade:

• Dificuldades no gerenciamento emocional, dificultando o aprendizado rápido.

• A aprendizagem integradora, juntando teoria e prática, aproximando o pensar do viver é muito restrita;

• Ética contraditória entre teoria e prática;

• O autoritarismo da maior parte das relações humanas interpessoais;

• Faltam pessoas e instituições que desenvolvam formas avançadas de compreensão e integração;


Mas, será que podemos pensar em uma mudança nova escola?


Podemos sim, soluções existem apesar da dificuldade: vai depender de mudanças na maneira de pensar e agir, incluindo educadores maduros, abertos, que saibam motivar e dialogar; assim como é necessário que nossos administradores, diretores e coordenadores estejam de fato envolvidos no projeto pedagógico ao lado dos professores inovadores e, também é necessário que os alunos se tornem interlocutores lúcidos e parceiros que facilitam o processo ensino- aprendizagem.