terça-feira, 23 de junho de 2009

Ambientes de ensino eficazes



Interessante como no Brasil, poucas pessoas se preocupam com a educação ou ao menos buscam compreender o que acontece de fato nas escolas para tentar encontrar alguma solução que de fato venha ao encontro das mudanças no cotidiano escolar.


Afirmo isso, por não ver (ou ainda ter visto muito pouco), comentários a respeito da pesquisa realizada pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento - OCDE, elaborado com o apoio da Comissão Européia, sobre ensino e aprendizagem (Talis), que, pela primeira vez, apresenta dados comparáveis em escala internacional sobre as condições de trabalho dos professores nas escolas, baseados nas conclusões de uma pesquisa conduzida em 23 países.


O relatório, intitulado « Creating effective teaching and learning environments» (Criar ambientes de ensino e aprendizagem eficazes), baseia-se nas conclusões do TALIS, e traz a tona uma série de fatos, que ao professor é real, mas para aqueles fora da sala de aula, se reduz em má vontade dos educadores em construir um ambiente diferente de aprendizagem. Algumas das conclusões da pesquisa são bem interessantes:

· Mais de 80% dos professores brasileiros queriam mais estímulo do que receberam;


· Grande parte dos professores do ensino básico trabalha em escolas em que as perturbações de sala de aula prejudicam o processo de ensino «em certa medida» ou «bastante». Em média, os professores gastam 13%do tempo em sala de aula procurando manter a ordem, mas no Brasil o percentual aumenta para 17%.


· Na maioria dos países, o estudo aponta que a força de trabalho das escolas está envelhecendo. Já no Brasil, só 12% dos docentes têm mais de 50 anos. De acordo com a pesquisa, quase um quarto dos professores têm menos de 30 anos. Isso representa menos experiência profissional, tendo apenas 19% com mais de 20 anos de docência, enquanto a média é de 36% com essa experiência.


· O relatório da OCDE mostra que a maioria (71%, maior percentual registrado) dos professores brasileiros começou a dar aulas sem ter passado por um processo de adaptação ou monitoria. A média dos países nesse quesito é de 25%.


· Os brasileiros também são dos que mais afirmam (84%) que gostariam de participar de cursos de desenvolvimento profissional. Esse percentual só é maior no México (85%).


· Os brasileiros são os profissionais que têm que atender a um maior número de alunos por classe, com média de 32 alunos, enquanto a média dos outros países é 24.

· A indisciplina se mostrou um problema mundial. Na média dos países, 60% dos diretores afirmaram ter, em alguma medida, distúrbios em sala de aula provocados pelo problema. O México tem o maior percentual (72%); o Brasil tem exatamente o índice da média.

· Os professores brasileiros são os que mais desperdiçam com outras atividades o tempo que deveria ser dedicado ao ensino. No período em que deveriam estar dando aula, eles cumprem tarefas administrativas (como lista de chamada e reuniões) ou tentam manter a disciplina em sala de aula (em conseqüência do mau comportamento dos alunos).

Tudo isso é apenas um resumo das mais de 300 páginas do documento que aponta as mazelas do ensino público. E ao que parece nada será feito para mudar esse triste quadro. Para acompanhar na integra todo o documento, é preciso dominar o inglês, já que não existe a versão desse documento em português. Quem tiver interesse pode obter o documento na integra em sua versão original :

http://www.oecd.org/dataoecd/17/51/43023606.pdf




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